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Biofeedback vs. Neurofeedback

Biofeedback vs. Neurofeedback – Qual a diferença?

Entenda por que o neurofeedback se destaca como uma modalidade diferenciada em comparação com as outras formas de biofeedback.

Sumário

Olá, me chamo Tuiã e é um imenso prazer estar aqui com vocês para compartilhar conhecimentos sobre biofeedback, uma das áreas que mais me apaixona.

Trabalho com o desenvolvimento de pessoas desde 2007, empregando diversas técnicas, incluindo a psicopedagogia, e integrando várias terapias ao longo desse percurso.

Consigo perceber claramente como o biofeedback e o neurofeedback, em particular, impactaram positivamente minha vida, tanto pessoal quanto profissionalmente.

Foram transformações que eu nunca havia alcançado antes!

O neurofeedback foi a minha porta de entrada, e ao longo do tempo, explorei outras modalidades de biofeedback que também contribuíram significativamente para a minha transformação, auxiliando-me a me tornar uma pessoa e profissional melhor.

Hoje, sinto grande satisfação em oferecer esse tipo de trabalho aos meus clientes e utilizar essas ferramentas no desenvolvimento pessoal.

Eu percebia constantemente que faltava algo no meu trabalho

Ao iniciar o trabalho de desenvolvimento pessoal, auxiliando as pessoas a encontrarem maneiras de se aprimorarem, me deparei com alguns obstáculos e bloqueios dos meus clientes que, por alguma razão, eles não conseguiam superar.

Eu conseguia ajudar as pessoas a se desenvolverem até certo ponto, mas qualquer abordagem de desenvolvimento humano inevitavelmente acabava por esbarrar em três desafios principais: 

  • Comportamentos persistentes;
  • Controle emocional;
  • Desempenho geral, especialmente no âmbito cognitivo.

Seja um comportamento que não se altera, uma emoção persistente que prejudica suas atividades ou uma baixa performance cognitiva, impedindo a concentração desejada ou um melhor raciocínio.

Ao constatar essas barreiras no processo de desenvolvimento, percebia que muitas vezes não se tratava apenas de falta de esforço por parte dos meus clientes.

Eles se esforçavam, desejavam mudar e estavam motivados, mas parecia que chegavam a um ponto em que as condições para continuar melhorando estavam além daquilo que eles eram capazes de alcançar por si mesmos.

Foi aí que o neurofeedback entrou em cena, seguido pelo biofeedback

Ao trabalhar no âmbito cognitivo com meus clientes, percebi que havia certas limitações quanto ao que conseguia acessar e intervir em relação ao modo como os clientes pensam e agem.

Diante disso, questionei a mim mesmo: “O que posso fazer de forma mais profunda em benefício deles? Considerando que todos os comportamentos e emoções têm origem no cérebro, talvez a resposta esteja lá.”

Então, iniciei uma investigação sobre como poderia modificar a programação que as pessoas carregam consigo.

Todos nós carregamos uma programação, muitas vezes moldada desde a infância e pelos hábitos que desenvolvemos desde o nascimento, ou até mesmo antes.

Esses hábitos se tornam profundamente enraizados e persistentes, percebi o quanto era desafiador os modificar. Mesmo quando não contribuem para a pessoa e ela sabe.

E então, comecei a refletir: onde estão "registrados" esses hábitos?

Onde eles estão escritos, programados?

Foi aí que compreendi: eles estão programados no cérebro, por meio das conexões entre neurônios, envolvendo tanto a parte química quanto a elétrica deste órgão vital.

Esses hábitos também estão presentes no corpo, na fisiologia de uma maneira mais abrangente.

Especialmente quando consideramos que possuímos diversos centros nervosos em nosso corpo, como o coração e o intestino, áreas com uma grande concentração de neurônios.

O coração, por exemplo, opera com conexões neuronais próximas ao que ocorre no cérebro. Ele é capaz de formar sinapses com os neurônios presentes, criando memórias de curto e longo prazo de forma independente do cérebro.

Essa investigação sobre como o corpo e o cérebro, como estruturas físicas, influenciam a mente, os estados mentais e as emoções, bem como impactam todas as ações na vida de uma pessoa, tornou-se minha paixão.

Sinto-me extremamente privilegiado por poder trabalhar com o neurofeedback e o biofeedback, contribuindo dessa forma para auxiliar as pessoas.

A origem da programação interna

Percebi que, ao compreendermos a existência de uma fonte para essa programação interna que cada pessoa carrega consigo, e ao dispormos de recursos para modificar tal programação, ocorre uma transformação significativa.

E que podemos com este domínio, nos tornar facilitadores para que as pessoas possam efetuar mudanças de dentro para fora.

Antigos hábitos, que antes pareciam inabaláveis, de repente se tornam passíveis de transformação. Emoções intensas, como ansiedade e raiva, que costumam prejudicar as pessoas, começam a desvanecer quase como por encanto.

Os obstáculos relacionados ao baixo desempenho, dificuldades de concentração e a falta de motivação – aspectos que afetam tanto o desempenho quanto o emocional – começam a se dissipar.

O raciocínio, muitas vezes obscurecido pela névoa mental, começa a fluir mais livremente, tudo isso desencadeado pelo trabalho na fonte que originou todos esses aspectos.

Biofeedback

Nesta apresentação, abordarei de maneira mais abrangente o Biofeedback, embora tenhamos um texto mais específico sobre o neurofeedback.

Ao discutir o biofeedback, estamos explorando a integração entre nossas ações, nossos sentimentos, nosso desempenho e o que existe dentro de nós.

Isso engloba nosso cérebro, nosso corpo, toda a nossa estrutura neuronal.

Um ponto que chama a atenção

Me chama a atenção compreender que existem situações em que, mesmo com o desejo sincero de mudança, as pessoas enfrentam dificuldades para agir de maneira diferente. Um exemplo marcante é a fobia de falar em público.

Observo muitas pessoas que têm receio ou vergonha de se expressar diante de uma plateia, e embora estejam determinadas a mudar, enfrentam obstáculos significativos.

Essa dificuldade é comum, não se restringindo apenas ao medo de falar em público. Talvez você consiga imaginar outras situações em que as pessoas desejam intensamente modificar um padrão de comportamento ou emocional, mas se veem incapazes de efetuar essa mudança.

Isso ocorre porque, se trabalharmos exclusivamente no nível da mente, é crucial diferenciar o que pertence à mente e o que está relacionado ao cérebro.

Entender nem sempre é o suficiente - A diferença entre mente e cérebro

A mente é o que se desenrola como resultado das atividades cerebrais. Nossos pensamentos e tudo que permeia nossa consciência constituem a mente, sendo o cérebro o gerador desse processo.

Ao nos restringirmos a uma abordagem centrada na mente, frequentemente nos deparamos com situações em que se torna desafiador efetuar mudanças. Por exemplo, quando alguém está enfrentando um ataque de pânico, a última coisa que essa pessoa precisa ouvir é: 

“Tente se acalmar”.

Infelizmente, isso ocorre com frequência, não é mesmo? A pessoa que está presente, sem saber como agir, expressa com boa intenção: “Tente se acalmar”.

Entretanto, não é uma questão de tentativa. Em meio a uma crise de pânico, não existem condições fisiológicas, naquele momento, que possibilitem a produção de uma mudança.

Se apenas a força de vontade resolvesse tudo, as coisas seriam mais simples, concorda?

Uma pessoa com depressão, por exemplo, se pudesse decidir não estar deprimida, resolveria tudo com facilidade.

O mesmo se aplica a um adolescente agitado, hiperativo, incapaz de ficar parado ou focar. Esse tipo de adolescente costuma ouvir com frequência conselhos do tipo:

“Você deveria ser menos agitado, mais focado”.

A pessoa entende isso, mas o entendimento por si só não é suficiente.

Condições fisiológicas para a mudança

É comum observar, por exemplo, adolescentes que fazem esforços para se concentrar melhor ou tentam ser menos agitados, mas frequentemente essas tentativas são infrutíferas.

Essa situação é bem comum.

Essas mudanças só se tornam viáveis quando transcendemos a abordagem puramente mental e começamos a trabalhar em níveis mais profundos.

Temos a capacidade de operar em altíssimo desempenho

Eu acredito nisso! Acredito que é possível aumentar a eficiência de qualquer pessoa. No entanto, para alcançar esse patamar, são necessários processos específicos.

Você, que está lendo, talvez já tenha experimentado estar em um estado no qual se sentia a melhor versão de si mesmo. Um estado de clareza mental, tomada de decisões e alto desempenho.

Algumas pessoas conseguem atingir esse estado por um período limitado, enquanto outras o mantêm por mais tempo. No entanto, é possível acessar voluntariamente esse estado e treinar para mantê-lo.

É nesse contexto que o biofeedback desempenha um papel fundamental.

O que é, afinal, o biofeedback?

Na minha perspectiva, trata-se de uma ferramenta verdadeiramente revolucionária. Algo que chegou para transformar completamente a estrutura de trabalho no desenvolvimento humano, na psicoterapia, na área da saúde em geral e na educação.

O biofeedback proporciona insights profundos sobre os padrões de comportamento.

Quando uma pessoa age de uma determinada maneira, o biofeedback revela as variáveis fisiológicas por trás desse comportamento. Ele nos permite entender o que o cérebro e o corpo estão fazendo, antecipando tais ações e antevendo o surgimento de determinadas emoções.

A partir dessa compreensão, desencadeia-se um trabalho de intervenção.

Eu aprecio bastante o biofeedback em geral, especialmente pelo fato de ele nos apresentar a verdade sobre a pessoa.

Muitas vezes, ao lidar com clientes, nos deparamos com situações em que o próprio cliente não tem plena consciência de suas crenças ou do que é verdadeiro para ele.

A hora da verdade: O corpo não mente

Gosto de compartilhar uma experiência com uma cliente durante uma sessão de biofeedback periférico. Ela estava com sensores conectados à mão, e monitorávamos um indicador fisiológico relacionado ao controle emocional.

À medida que essa pessoa alcançava um estado de relaxamento e tranquilidade mental, um gráfico na tela da televisão começava a subir. Quanto mais ela relaxava, mais o gráfico ascendia. Em determinado momento, ela decidiu usar uma estratégia para acelerar esse progresso.

Começou a fazer afirmações positivas mentalmente, cultivando pensamentos otimistas sobre si mesma, reconhecendo sua capacidade e aspectos positivos.

E o que ela observou?

Algumas afirmações positivas ajudavam o gráfico a aumentar, mas outras faziam o gráfico cair. Foi uma descoberta fascinante.

A princípio temos a tendência a achar que pensamentos positivos aumentam nossos níveis de relaxamento e autoconfiança. No entanto, no caso dela, às vezes isso não acontecia.

Ela compreendeu que o gráfico caía toda vez que pensava em afirmações nas quais não acreditava totalmente.

Assim, mesmo sendo uma afirmação positiva, se ela acreditava plenamente, o gráfico subia. Se havia dúvida ou insegurança sobre a afirmação positiva, o gráfico caía.

É incrível como, por meio de sensores conectados ao corpo, conseguimos obter informações em tempo real sobre tudo o que está acontecendo nos bastidores da pessoa.

Temos acesso a mecanismos subconscientes que muitas vezes a pessoa não consegue controlar por vontade própria, e essas informações estão disponíveis para nós, terapeutas, e interventores em geral, por meio do biofeedback.

Biofeedback: Uma introdução para iniciantes

Se você está lendo este texto sem saber muito sobre biofeedback, se tiver “caído de paraquedas” aqui, então, permita-me explicar:

O biofeedback é uma técnica, ou um conjunto delas, que utiliza sensores conectados ao corpo. Esses sensores realizam leituras da atividade fisiológica do nosso corpo.

Por exemplo, posso ter um sensor de temperatura na minha mão, um pequeno termômetro no meu dedo, medindo a temperatura da minha mão. E por que isso é importante? 

Porque sabemos, através da fisiologia, que nosso sistema nervoso está constantemente em ação, coordenando o fluxo sanguíneo e todo o sistema que irriga nossos vasos sanguíneos para aumentar ou diminuir a temperatura em determinadas áreas e situações.

Normalmente, em situações de estresse ou ansiedade, as mãos tendem a ficar mais frias devido à diminuição do fluxo sanguíneo nas extremidades.

Então, ao colocar um termômetro no meu dedo e medir a temperatura da minha mão, estou obtendo um indicador visual do meu nível de ansiedade ou estresse, apenas pela temperatura.

Este é apenas um exemplo, mais precisamente do biofeedback de temperatura, existem muito mais possibilidades de feedback em que se devolve ao corpo informações sobre ele mesmo para gerar aprendizado.

Por que usar o biofeedback?

Com ele, podemos apresentar à pessoa um indicativo claro de como está seu desempenho na variável que está sendo medida.

Por exemplo, se meu objetivo é ajudar alguém a reduzir a ansiedade, posso utilizar um termômetro. Ao conectar o termômetro, a pessoa recebe um feedback em tempo real sobre o que está sendo medido.

Aqui, ela estabelece um objetivo: aumentar a leitura do termômetro. Isso só é possível quando o sistema nervoso opera de maneira mais direcionada para induzir o relaxamento. Da mesma forma, a mente da pessoa precisa trabalhar para gerar pensamentos que promovam uma estabilidade emocional maior.

Ao ter acesso a essa informação que o corpo está produzindo, somos capazes de ensinar de maneira mais eficaz a pessoa a modificar o que está acontecendo, guiando-a na busca por um estado emocional mais equilibrado.

Entenda essa união: Bio + Feedback

Ao falarmos de biofeedback, estamos explorando dois conceitos fundamentais. “Bio” refere-se à totalidade da biologia do nosso corpo, enquanto “feedback” implica em coletar dados do nosso corpo e devolver informações em tempo real para a pessoa.

Ilustrando este processo, observe a representação a seguir:

tipos de biofeedback: ativação cerebral (EEG), tensão muscular (EMG), HRV (Pulso/ECG), Respiração, Condução pela pele, Temperatura.

Iniciamos com a realização de uma medição fisiológica, na qual os dados são transmitidos para processamento por um computador.

Em seguida, o computador produz algum tipo de feedback.

Esse feedback pode se materializar, por exemplo, em uma música que toca apenas quando a pessoa atinge o estado desejado de relaxamento, ou em um vídeo que avança conforme ela alcança o estado treinado.

Outra opção é ajustar a iluminação da tela com base nos sinais gerados pelo corpo da pessoa.

Esse ciclo de aprendizado contínuo é estabelecido proporcionando informações consistentes à pessoa sobre o alvo desejado. Ter por base dados objetivos gera resultados mais eficazes do que simples tentativas de controlar ou diminuir a ansiedade sem parâmetros claros.

Sem medidas para avaliar o nível de ansiedade ou estresse, torna-se desafiador determinar a eficácia dos esforços e a profundidade do relaxamento alcançado.

A medição facilita a adaptação, tornando o biofeedback uma ferramenta valiosa para acelerar o processo de mudança.

Essa abordagem tem como objetivo ensinar as pessoas a promoverem mudanças comportamentais, emocionais e de desempenho por meio de um processo educativo, onde o controle inicial é centrado no corpo.

A partir desse controle, torna-se mais acessível a modificação de ações e comportamentos.

Modalidades de biofeedback

Diversas modalidades de biofeedback estão disponíveis, sendo o exemplo da temperatura apenas um deles.

A condutibilidade da pele é uma modalidade, assim como o biofeedback de respiração, que mensura a taxa respiratória, a entrada e saída de ar, e a quantidade de dióxido de carbono exalado pela pessoa.

Temos também o biofeedback cardíaco, que analisa a variabilidade da frequência cardíaca, desempenhando um papel significativo na integração geral do sistema nervoso autônomo.

Outra opção é o biofeedback de tensão muscular. Nele, sensores são conectados para medir a contração ou relaxamento dos músculos. 

Em resumo, há um conjunto variado de técnicas que podemos empregar no biofeedback.

Essas são ferramentas que causam transformações notáveis na vida das pessoas.

Costumamos visualizar nosso corpo de maneira fragmentada, dividindo-o em cabeça, braço, perna. No entanto, ao começarmos a percebê-lo de maneira mais complexa, ganhamos uma compreensão mais profunda e sistêmica!

Sistema Nervoso, mudança de comportamento, controle emocional e cognição

Pode ser que você considere simples alguém realizar treinamentos respiratórios ou musculares para alterar comportamento, controle emocional e cognição.

No entanto, essas práticas realmente causam impacto! 

A simples ação de relaxar o corpo já é capaz de modificar essas funções.

Um bom exemplo disso é pensar: O que fazemos quando um bebê está com cólica? O colocamos em uma banheira de água morna. A banheira de água morna relaxa a musculatura da criança e regula seu sistema nervoso autônomo para um padrão mais coerente ou parassimpático.

No fundo, tudo no biofeedback está relacionado a essa integração do sistema nervoso.

Existem duas grandes alças. Quando falamos do sistema nervoso autônomo, envolvemos tudo o que ocorre em nosso corpo de forma não voluntária.

Temos a alça simpática e a alça parassimpática, que são, fisiologicamente, grandes conjuntos de nervos que desencadeiam ações específicas em nossos órgãos. Por exemplo, o sistema simpático, quando ativado, induz mudanças fisiológicas para nos preparar para lutar, fugir ou enfrentar situações de perigo em geral.

Quando o sistema simpático está em ação, mobiliza nosso corpo, posiciona nossos músculos em estado de prontidão, redistribui a circulação sanguínea, diminui a temperatura das mãos e dilata as pupilas para melhorar a visão. Enfim, tudo relacionado a situações de perigo.

Por outro lado, temos o sistema parassimpático, que auxilia na produção de relaxamento, equilíbrio e na regulação hormonal adequada para a regeneração do corpo. Ele comanda o sistema digestório para assimilar os alimentos.

Quando o sistema parassimpático está ausente ou não atua diretamente, a digestão é inibida.

Sistema Nervoso Autônomo Simpático e Parassimpático

Na prática, tudo o que acontece no nosso corpo em termos fisiológicos é coordenado de forma bastante direta por esses dois sistemas nervosos, que atuam de maneiras bastante opostas entre si. E o que observamos na prática é que muitas pessoas não têm um bom equilíbrio entre esses dois sistemas.

Existem pessoas que permanecem predominantemente no sistema simpático, às vezes de maneira crônica. Estão constantemente com medo, ansiosas e com a mente agitada, como se algo perigoso fosse acontecer a qualquer momento.

Por outro lado, existem pessoas que se inclinam para o extremo oposto, ficando muito no parassimpático. Essas pessoas apresentam falta de energia, dificuldade em reagir e se manter ativas. Elas têm dificuldade em mobilizar o sistema nervoso para iniciar ações, concentrar-se e demonstrar proatividade nas atividades que estão realizando.

Portanto, a integração desses dois sistemas é algo extremamente importante quando trabalhamos com o biofeedback.

Adaptabilidade e flexibilidade do Sistema Nervoso Autônomo

O nosso sistema nervoso autônomo precisa ser flexível e alternar entre parassimpático e simpático de acordo com o contexto e necessidade.

Por isso, o grande foco do trabalho no biofeedback é tornar o sistema nervoso adaptável.

Quando se pensa em termos de adaptação, entendemos que não existe um estado melhor do que o outro.

Existe um estado psicofisiológico que é mais apropriado para aquele momento. Para que eu alcance o objetivo que eu tenho para aquela situação específica.

O grande problema é que muita gente tem o sistema nervoso sem capacidade de adaptação porque ao longo da vida e à medida que a pessoa foi formando hábitos, é como se o sistema nervoso fosse se cristalizando em determinados hábitos que o tornam pouco flexível. E o que o biofeedback fornece são as condições de voltar a ensinar para o nosso sistema como ter essa flexibilidade.

Como se tornar um sistema capaz de se modificar de acordo com o que o ambiente pede. De acordo com o que a pessoa quer produzir.

Isto é algo que eu considero extraordinário!

Porque a partir do momento que uma pessoa se torna mais adaptável, ela consegue ter muito mais facilidade para produzir mudanças que ela queira.

O treinamento nos traz uma mensagem de otimismo!

Muitos dos casos em que as pessoas não conseguem mudar ocorrem simplesmente porque não têm um sistema nervoso adaptável.

O grande ponto que o biofeedback vem trazer é uma mensagem de otimismo para todos nós: Não importa como você está hoje, nem qual é a condição atual do seu sistema nervoso; é possível mudar!

Afinal, estamos falando aqui de uma ideia de treinamento.

Quando menciono treinamento, isso significa que posso não ser bom ainda. No entanto, à medida que eu treino e aprimoro minhas habilidades, me torno melhor. O meu sistema nervoso, à medida que é treinado, se torna um sistema nervoso melhor.

Assim, retiramos a pessoa dessa condição de derrotismo, da ideia de que ela é assim, sempre foi assim, e nunca conseguirá mudar.

Damos à pessoa os recursos e as condições para ela produzir qualquer tipo de mudança interna necessária para se tornar uma pessoa melhor.

Independentemente do que ser uma pessoa melhor signifique para ela.

O biofeedback, de uma forma geral, é muito interessante. Na Brain-Trainer, nosso foco principal é o neurofeedback, esse tipo específico de biofeedback.

Neurofeedback: Biofeedback da atividade elétrica cerebral

Ao abordarmos o neurofeedback, estamos tratando de uma forma específica de biofeedback.

Por quê? Porque estamos fazendo a leitura de variáveis que o corpo produz e devolvendo essas informações à pessoa que está sendo monitorada.

Na minha opinião, não é correto classificar o biofeedback de maneira geral, colocando o neurofeedback no mesmo nível das outras modalidades. Com todo respeito às outras modalidades, utilizo todas elas em meu trabalho de biofeedback.

Quando falamos sobre o cérebro, a questão se torna mais séria e profunda. Por quê?

 Porque tudo o que acontece, desde as medições no coração, nos dedos, na temperatura, até o nível de suor, está sendo orquestrado, em primeira instância, pelo nosso cérebro.

Dessa forma, o neurofeedback se destaca como uma modalidade diferenciada em comparação com as outras formas de biofeedback.

É por isso que utilizamos termos distintos. Referimo-nos ao biofeedback periférico ao falar de todas as outras modalidades e usamos o termo específico “neurofeedback” para descrever o biofeedback baseado na atividade cerebral.

Diferenças entre o biofeedback periférico e o neurofeedback

Biofeedback periférico - Treinando a pessoa

Ao trabalhar com o cérebro e outras variáveis fisiológicas, surgem algumas diferenças notáveis.

Uma das distinções mais significativas, na minha opinião, entre o biofeedback periférico e o neurofeedback é que, no biofeedback periférico, estamos treinando a pessoa.

Meu cliente está ali, monitorado pelos sensores, aprendendo a entrar em um estado específico com base nos feedbacks recebidos.

Nesse contexto, eu ensino ao meu cliente estratégias de respiração e relaxamento durante a sessão de biofeedback. Essas estratégias auxiliam a pessoa a alcançar um estado específico de maneira voluntária e consciente.

Portanto, a pessoa toma a decisão de entrar nesse estado, segue um processo e atinge o objetivo desejado.

Neurofeedback - Treinando o cérebro

Quando se trata de neurofeedback, a abordagem é diferente, pois o neurofeedback não tem a intenção de treinar a pessoa, pelo menos na nossa abordagem na Brain-Trainer.

Nosso foco não é ajudar a pessoa a modificar o cérebro; em vez disso, nos concentramos em estabelecer uma comunicação direta com o cérebro para ensiná-lo a se modificar.

Essa mudança de abordagem é substancial.

Muitas vezes, no consultório, vejo que os clientes, especialmente aqueles que são controladores, têm dificuldade em compreender como o neurofeedback funciona. No neurofeedback, a pessoa não precisa fazer nada, e preferencialmente, não deve fazer nada.

O único papel do cliente no neurofeedback é trazer o cérebro para a sessão. Durante a sessão, realizamos medições da atividade cerebral e devolvemos essas informações ao cérebro na forma de sinais visuais e sonoros.

No neurofeedback, estamos treinando aspectos que são inconscientes e involuntários. Isso oferece várias vantagens, pois muitas vezes a pessoa não está em condições de produzir mudanças voluntárias.

Biofeedback vs Neurofeedback: Diferenças no envolvimento do cliente

Enquanto nos protocolos de biofeedback o cliente precisa buscar e treinar ativamente a função desejada, no neurofeedback, ele obtém benefícios sem a necessidade de esforço consciente.

Essas duas ferramentas, embora complementares, proporcionam resultados potencializados quando integradas e utilizadas de maneira planejada.

No neurofeedback, conseguimos estabelecer uma comunicação direta com o que não é consciente para a pessoa, instruindo o cérebro sobre como se modificar através dos feedbacks.

Isso se traduz em mudanças significativas na pessoa, originadas a partir dessa conversa direta com o cérebro.

O que é feedback afinal?

O feedback se baseia em dois princípios, incorpora dois conceitos fundamentais:

  1. Espelho: Cada vez que você fornece informações, seja do biofeedback ou neurofeedback, ao seu cliente, você está, de certa forma, colocando essa pessoa diante de um espelho. Não é um espelho que reflete a imagem da pessoa, mas sim que revela algo que está sendo gerado por ela.

  2. Reforço: O sistema de biofeedback, ou neurofeedback, sinaliza um caminho com base no que estou medindo. Por exemplo, faço uma música tocar quando atingimos um determinado objetivo fisiológico. Ou ajusto a luminosidade da tela, indicando ao cérebro ou ao parâmetro fisiológico que as coisas estão progredindo conforme o esperado ou tomando um rumo diferente.

 

A verdadeira transformação acontece, como se fosse mágica, quando conseguimos devolver essas informações relacionadas ao desempenho em um processo específico.

A pessoa aprende, ou, o cérebro aprende. E produz a mudança em termos de capacidade fisiológica que sustenta melhorias comportamentais, emocionais e de desempenho de habilidades.

Síntese do artigo: Biofeedback vs. Neurofeedback

O biofeedback é abrangente e oferece uma visão fascinante da interação complexa entre corpo e mente.

Ao entendermos e treinarmos variáveis fisiológicas, abrimos portas para mudanças significativas em nosso comportamento, emoções e desempenho. E dos nossos clientes!

A flexibilidade do sistema nervoso autônomo, tanto simpático quanto parassimpático, destaca-se como uma peça fundamental nesse processo de autorregulação.

Ao integrarmos diferentes modalidades de biofeedback, como o periférico e o neurofeedback, podemos otimizar os resultados.

O biofeedback, e mais especificamente o neurofeedback, emergem como uma ferramenta valiosa para aqueles que buscam aumentar seu potencial, promovendo mudanças internas profundas e duradouras.

Autor: Tuiã Linhares é Físico, Neuroterapeuta e Especialista em Psicopedagogia Clínica. Fundador da Bio-Trainer empresa especializada em Biofeedback da Variabilidade da Frequência Cardíaca. Treinador e supervisor de neurofeedback certificado pela Brain-Trainer, responsável também por coordenar as otimizações do Sistema da Brain-Trainer Internacional.

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