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Cérebro com eletrodos em fundo azul e texto "Condicionamento Operante e Treinamento Cerebral"

Condicionamento Operante e Treinamento Cerebral: Entenda Qual é a Diferença

Entenda o condicionamento operante e o treinamento cerebral, entendendo diferenças que permitem uma mudança duradoura no comportamento.

Sumário

A Influência do Conhecimento Convencional no Entendimento do Treinamento Cerebral

Muitos dos primeiros estudos sobre treinamento cerebral foram feitos por psicólogos. Estes foram um dos pioneiros na publicação de pesquisas e guiaram muitas outras publicações mais tarde. Entendiam e descreviam o que estavam fazendo em termos de psicologia, especialmente behaviorismo.

Eles desenvolveram quase que naturalmente um senso de propriedade no campo. Funcionou, afinal de contas, com o comportamento humano, pensamentos e sentimentos – campos da saúde mental. O treinamento cerebral começou a ser definido por eles como uma ferramenta de tratamento. Eles organizaram certificações e entidades profissionais administradas por psicólogos e tentaram limitar os profissionais que seriam qualificados para fazer tal treinamento cerebral.

Quando treinamos o cérebro, para os psicólogos, estamos condicionando as células do cérebro a responder de modo diferente. Este é o modelo que os psicólogos entendem, e este modelo demanda que os profissionais da área tenham a responsabilidade sobre a tecnologia. Mas isto é um fato ou uma suposição?

O Modelo de Condicionamento Operante

Você encontra o seguinte escrito na capa da maioria dos livros e artigos que lê: treinamento cerebral é “condicionamento operante”.

Skinner ensinou pombos a bicar um botão quando uma luz ficasse vermelha (mas não verde) dando comida a eles quando completassem a tarefa. Barry Sterman treinou gatos a relaxarem completamente (criando assim um ritmo cerebral específico em uma área específica) dando a eles gotas de leite.

É compreensível que os psicólogos apresentariam o treinamento cerebral em seus próprios termos – eles entendem esse tipo de pensamento e isto os mantém no comando. Mas realmente, seria isto a única, ou até mesmo a melhor descrição do que está acontecendo quando nós treinamos cérebros humanos?

Recompensas e Estímulos no Treinamento Cerebral

Receber comida imediatamente depois de fazer algo é bastante óbvio e positivo. Mas quando um computador toca uma música ou roda um vídeo, é a mesma coisa? Bicar um botão ou relaxar (o que a maioria dos pombos/gatos sabe fazer muito bem) são tarefas fáceis. Entretanto, ensinar o cérebro a liberar um padrão de ansiedade duradoura através da música ou de um vídeo ou de ganho de pontos em um jogo parece ser muito diferente.

Sterman alegou que a maneira de treinar aumentando a atividade de frequência é dando feedback quando algo é feito, depois esperando por um período refratário e então recomeçando. Poucos treinadores se incomodam com isso – e também tem aqueles que não conseguem resultados equivalentes ao modelo condicional “apropriado”.

E se o cliente não gostar de música? E se o vídeo ou o jogo forem entediantes? Isto não é o mesmo que ganhar comida. Você pode treinar o pombo dando a ele uma moeda de um centavo cada vez que ele bicar? Duvido.

Todo treinador faz estas perguntas, mas eu não tenho conhecimento de alguém que alguma vez já as tenha testado. Nós simplesmente aceitamos que estamos condicionando o cérebro porque é isto que lemos em toda parte.

Generalizando o Treinamento Cerebral para a Vida Cotidiana

Gatos já sabem relaxar; pombos sabem bicar. As pessoas com as quais muitos treinadores se deparam não SABEM prestar atenção. Elas raramente o fizeram por mais de alguns segundos. Pessoas depressivas não sabem ver o mundo de modo positivo.

Nós não estamos treinando-as para executar uma ação conhecida. Nós estamos pedindo que o cérebro delas produza, em muitos casos, um estado do qual elas não têm nenhuma referência. É como tentar treinar um pombo ou um gato a trocar um pneu.

Nós não esperamos que o pombo bique barras quando as luzes piscarem fora do laboratório. Pombos bicam por comida e gatos relaxam naturalmente. Porém, espera-se que os clientes que treinam o cérebro realizem de 20 a 40 sessões no computador e literalmente mudem a forma que eles se relacionam com o mundo.

Nós queremos que a habilidade de focar apareça na sala de aula, em uma conversa entre amigos, quando fazendo a lição de casa ou uma tarefa chata no trabalho. Não estamos ensinando uma reação, estamos tentando mudar a uma capacidade, uma maneira inteiramente nova de lidar com o mundo.

Sustentabilidade das Mudanças: Para Além da Extinção de uma Recompensa

O que acontecerá com o comportamento do pombo quando você parar de dar comida a ele? Eventualmente, o pássaro aprenderá que bicar uma alavanca em determinados momentos não dará a ele retorno, e ele irá parar de fazer isso.

Mas o treinamento cerebral deve resultar em mudanças duradouras que se generalizam através da experiência de vida do cliente e durem além do término do “treinamento”.  Se as mudanças são interrompidas quando o feedback não é mais dado, então qual é o benefício do treinamento?

Meu ponto aqui não é necessariamente para dizer que os behavioristas estão errados; que condicionamento operacional não funciona em humanos (embora haja menos evidência de que funcione) ou que não seja uma maneira viável de entender o treinamento cerebral.

Eu estou simplesmente dizendo que há muitos outros jeitos de entender o que o treinamento alcança, que faz mais, ou menos sentido.

Continue a ler… 

Autor: Peter Van Deusen é um visionário treinador de cérebros que estuda, desenvolve e aplica a técnica há mais de 30 anos. É o fundador da Brain-Trainer International e possui gravações em português de aulas Master Class de aprimoramento para treinadores de neurofeedback.

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