O Modelo Patológico

Oriente Vs. Ocidente

O conceito de patologia se desenvolveu a partir de uma visão de mundo bem específica. As perspectivas orientais sobre o universo enxergam o todo e procuram abordar o ser humano deste modo também. Abordagens ocidentais desmontam o universo em pedaços e tentam fazer com que nós também nos encaixemos neste modelo. O oriente se foca no todo – um estado de equilíbrio e fluxo de energia em constante mudança. O ocidente se foca nas dualidades, como Saúde vs. Doença. As ferramentas orientais são yoga, tai chi e meditação. As ferramentas ocidentais são medicina, economia e tecnologia. O oriente fortalece o sistema imunológico do organismo, em sua função natural. O ocidente “trata” os sintomas, intervindo de fora pra dentro.

Hoje estamos em condições de aplicar a tecnologia energética para favorecer a consciência mais profunda de nós mesmos e nossos universos pessoais. Ferramentas de meditação / oração e outras ferramentas de auto regulação são amplamente procuradas, e o treinamento cerebral está sendo cada vez mais utilizados para auxiliar neste processo.

Desde os primeiros dias de Elmer e Alyce Green, o foco do treino cerebral na autoconsciência tem sido um forte ramo do neurofeedback. Hoje este tipo de treino está obscurecido pelo nosso modelo baseado-na-patologia, de diagnosticar-e-tratar-a-doença, em suma: a abordagem dos profissionais de saúde mental. No entanto, trabalhos acadêmicos sérios têm sido feito há décadas, e ainda estão sendo feitos hoje, para identificar as características do cérebro holístico.

O que é o modelo patológico?

A visão dualista do mundo utiliza a estatística para definir o comportamento “normal”, a produtividade, sentimentos, inteligência, gostos e saúde. O que quer que se encontre “muito longe” (estatisticamente) deste “normal” é, por definição, patológico.

A patologia vem de fora para perturbar o normal. Nossos corpos são cercados por “germes” (lembrando que nossos corpos contém 10 vezes mais bactérias do que células). Precisamos “matar os germes” para evitar a doença ou melhorar (uma sofisticada “força policial” interna está constantemente nos varrendo, identificando potenciais ameaças e se mobilizando contra elas). Medicação, cirurgia e intervenções são necessários para derrotar as patologias – mesmo que estas interfiram nos próprios processos autoimunes do corpo. Se o tratamento destrói qualidade de vida para dar um alívio temporário, tudo bem. Uma criança que não come, irritadiça, dormindo mal e agindo como um zumbi, mas que não recebe bronca na sala de aula, é considerado um bom resultado.

Patologia e o Cérebro

Especialmente na área da vida mental e emocional, o conceito de um normal definido estatisticamente faz pouco sentido. Certamente existem cérebros com um tumor, ou um cérebro no qual as células produtoras de dopamina não estão sendo substituídas, ou que estão dominados por convulsões ou bloqueadas por placas amilóides. Mas uma criança que vive em uma família deteriorada, que sobrevive de fast-foods e video game não está necessariamente “doente” só porque ela não consegue ficar parada algumas horas por dia em uma sala com outras 25 crianças. Uma mulher que vive em constante medo, que foi aprendido com uma mãe ansiosa, literalmente, desde o ventre materno, ou em resposta ao desamparo experimentado em uma situação que ameaçava sua segurança por longos períodos – não está necessariamente doente. Suas vidas estão certamente desequilibradas. Suas perspectivas sobre entretenimento ou segurança podem ser irrealistas, mas estão alinhadas com sua cultura. Sua cultura as ensina a esperar esse tipo de coisa.

Existe uma origem clara para grande parte desta pressão. A indústria farmacêutica é um negócio anual de US$ 400 bilhões, globalmente. As empresas farmacêuticas gastam 1/3 da sua receita em marketing, o dobro do que elas gastam em pesquisas! Eles literalmente financiam a FDA, agência encarregada de supervisioná-los. Eles financiam a grande maioria da “pesquisa” publicada. Temos uma probabilidade 50 vezes maior de aprender sobre questões de “saúde” com material produzido pelas empresas farmacêuticas do que a partir de fontes públicas de saúde. E estes medicamentos requerem uma patologia.

O custo do Modelo baseado em Patologia

A abordagem “patológica” para descrever o cérebro produziu uma civilização de pessoas “doentes”, pessoas que precisam de ajuda para serem produtivas e ocuparem um lugar na sociedade. Como o número de diagnósticos psiquiátricos quase triplicou, passando de 106 em 1952 para 297 em 1994, até os psiquiatras que desenvolveram o sistema admitiram que “conduziram à medicalização, de 20 a 30 por cento da população, que poderiam não ter qualquer problemas mental grave”. O Instituto Nacional de Saúde Mental concorda que o sistema de diagnósticos é muito subjetivo e pouco científico, contando com sintomas superficiais e linhas divisórias artificiais entre doença e “normalidade”. Na verdade, a maioria dos diagnósticos de saúde mental são meramente descrições de sintomas.

O resultado desta “medicalização” é pior do que simplesmente termos uma série de crianças e adultos com diagnósticos de problemas mentais. O uso de medicamentos antidepressivos quadruplicou em apenas 20 anos. Eles agora são os medicamentos mais comumente usados ​​por americanos entre 18 e 44 anos de idade. Em 2003, haviam 400 americanos diagnosticados com transtorno bipolar para cada um que existia em 1994, um aumento de 4.000% em 9 anos. 20% das crianças americanas estão agora diagnosticadas com um transtorno psiquiátrico e estão tomando medicamentos psicoativos.

Esta é uma decisão cultural, mas é aquela que cada um de nós tem a opção de aceitar ou recusar, pelo menos por enquanto.

Peter Van Deusen

Peter Van Deusen tem treinado cérebros (incluindo o seu próprio) e treinadores desde 1992. Seu compromisso é em tornar a sofisticada tecnologia de neurofeedback acessível a usuários profissionais e leigos.

Peter Van Deusen

Peter Van Deusen tem treinado cérebros (incluindo o seu próprio) e treinadores desde 1992. Seu compromisso é em tornar a sofisticada tecnologia de neurofeedback acessível a usuários profissionais e leigos.

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Criada em 1994 por Peter Van Deusen, a Brain-Trainer International (BTI) é uma empresa que oferece um sistema completo para treinadores de neurofeedback: aparelhos, programas e cursos de formação e aprimoramento.

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