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Reflexões sobre a Percepção do Universo e do Eu

Se somos capazes de experimentar sem julgar ou categorizar estando ciente do que está diante de nós, sem comparar com o que queríamos, isto muda a forma como nos sentimos sobre viver e como os outros se sentem sobre nós. É uma distinção entre o egocêntrico e o autoconsciente.

Sumário

“Sem luta: Sem culpa.”

Neste artigo, exploramos como percebemos e interagimos com os outros e o universo, com base nas filosofias orientais e nas mais recentes descobertas da física.

Abordamos a natureza da consciência, a influência da cultura ocidental dualista e como esses conceitos influenciam nossa visão do mundo e as interações humanas.

Também discutimos a importância de viver a partir do nosso “centro”, minimizando o egocentrismo e promovendo a autoconsciência, proporcionando uma vida mais satisfatória e harmoniosa.

Como Conhecemos os Outros

Filosofias orientais tem, por milhares de anos, apresentado uma visão do indivíduo e do universo que tem, ao longo do último século, começado a aparecer novamente na perspectiva das ideias mais recentes da física – aquelas que pós-datam a física de Newton de que a maçã cai da árvore.

Não há “matéria” no sentido de “algo” físico enrijecido e veloz que constitua um mundo material de corpos, construções, árvores e planetas. Há energia – embalada mais frouxamente ou mais densamente. Nós representamos a consciência, uma compreensão do que sentimos, o que nos rodeia, como é organizado e o que significa.

Resumindo, não percebemos o universo como ele é; ele é como o percebemos.

Duas pessoas, mesmo que compartilhem o mesmo ambiente familiar, residam no mesmo bairro ou nação, ou até mesmo trilhem o mesmo percurso em uma floresta, podem apresentar perspectivas inteiramente distintas. Isso não é porque estes fenômenos “externos” são diferentes, mas porque as expectativas do indivíduo e a forma de assimilar, sentir e lembrar são diferentes.

Como Conhecemos o Universo

A maioria de nós vive nossas vidas em relação a como experimentamos e sentimos o “mundo ao nosso redor”: é um lugar perigoso, um lugar abundante, cheio de pessoas que não inspiram confiança ou pessoas que em geral achamos positivas e atenciosas.

A maioria das culturas ocidentais apresentam um mundo dualístico: liberais contra conservadores, negros contra brancos, o bem contra o mal, o conflito constante entre o que queremos e o que podemos ter. Esta é a perspectiva que nossa arte, entretenimento, noticiário e educação, nos apresenta a cada hora de cada dia. Mas poucos de nós reconhecemos que tais julgamentos não são incorporados nas coisas que percebemos que estão fora de nós – eles são construídos em nós. Um terrorista para alguém é o herói patriótico de outro.

Este ponto de vista crítico do universo é descrito nas filosofias orientais que utilizam os “opostos” Yin e Yang. Mas o símbolo de Yin/Yang é o Tai Chi – o círculo constituído por duas vírgulas coloridas opostas aninhadas uma dentro da outra que compõe um movimento contínuo. Esse é outro ponto de vista, no qual todos nós e tudo ao nosso redor é parte de um todo integrado no qual o “bem” pode ser somente definido contra o “mal”, onde humanos e animais e o meio ambiente não são separados, mas sim elementos de um todo unificado.

Como os Outros nos Conhecem

Cada pessoa que conhecemos se projeta para o “mundo”. Não demora muito depois de conhecer alguém para reconhecer se ele ou ela é essencialmente temeroso, confiante, irritado ou acolhedor. Sabemos a diferença entre aqueles que são primeiramente conscientes de si ou cientes das necessidades e sentimentos do próximo. Em muitos casos podemos ser atraídos para – ou repelidos por – essa pessoa. Essa resposta é muitas vezes relacionada com a forma como nos sentimos quando estamos com essa pessoa – como o universo que ele ou ela “cria” corresponde ao nosso.

Quanto menos “egocêntrico” somos – menos nos projetamos para o universo que percebemos – menores são as chances de ficarmos insatisfeitos. Se você experimentar as pessoas ao seu redor e as “coisas que acontecem” para você em comparação com o que quer, o que espera, o que gosta ou não gosta, é muito provável, que no mínimo, ficará insatisfeito algumas vezes – talvez muitas.

Se somos capazes de experimentar sem julgar ou categorizar estando ciente do que está diante de nós, sem comparar com o que queríamos, isto muda a forma como nos sentimos sobre viver e como os outros se sentem sobre nós. É uma distinção entre o egocêntrico e o autoconsciente.

O Egoísmo e o Centro

Parece contraditório, mas quanto menos vivemos em nosso centro, mais egocêntrico somos. Pessoas egocêntricas tem inimigos, foram feridas pelos outros, possuem opiniões fortes, devem “perdoar” os outros. Tudo que acontece é visto em termos muito pessoais: como isso me afeta.

Muitos projetam futuros que podem vir a acontecer, esperando desapontamentos ou algo pior e queimam energia cerebral se preocupando e planejando. Ocasionalmente eles admitem que sua preocupação não mudou em nada o resultado – que as coisas com as quais mais se preocuparam são aquelas que não podem controlar. Mas eles continuam a empurrar um fardo pesado de previsões negativas.

Pessoas que são capazes de viver o tanto quanto possível cientes de como elas se relacionam com o que encontram, ao invés de como o que encontram se relaciona com elas, não sabem o que é serem ofendidas, machucadas, sortudas ou desafortunadas porque elas não comparam o que acontece com o que “deveria ter” acontecido. Não tem motivos para serem ansiosas e nada poderá arrastá-las para a depressão.

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Autor: Peter Van Deusen é um visionário treinador de cérebros que estuda, desenvolve e aplica a técnica há mais de 30 anos. É o fundador da Brain-Trainer International e possui gravações em português de aulas Master Class de aprimoramento para treinadores de neurofeedback.

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