Treinando até o Pico

A opção “Normal”

Como discutimos anteriormente, um dos produtos mais fortemente comercializados no treinamento cerebral na década de 2010 é o treinamento Z-Score. Este então chamado sistema “científico” e “baseado no cérebro” propõe que através do treinamento individual de qualquer cérebro, deslocando dezenas de micro medidas na direção de um padrão mediano de uma determinada população, este cérebro se tornará mais eficaz – e especialmente irá melhorar a experiência do cliente e guiá-lo na direção de seus objetivos.

Um dos grandes benefícios deste sistema (para os vendedores) é que ele é muito complicado e não pode ser feito sem o acesso a uma das poucas databases existentes desenvolvidas de 20 a 30 anos atrás. Do ponto de vista do treinador, o maior benefício é que ele não precisa conhecer muito sobre o cérebro ou até mesmo o que o cliente quer mudar. Simplesmente grava um EEG com um amplificador de mais de 19 canais, envia a gravação para o proprietário da database e recebe de volta um longo e complicado documento repleto de gráficos e leituras de Z-Score. Treina para “normalizar” todas as micro medidas identificadas ao mesmo tempo e – voila! – tudo fica melhor. E se não melhorar… bem, o que você pode fazer? Você foi científico. Gastou um bocado de dinheiro. Fez o que o computador mandou você fazer. Não é sua culpa.

O Pico

Também discutimos o fato de que boa pesquisa tem sido realizada sobre “picos” do cérebro de meditadores de longo tempo, pilotos de alta performance, super artistas, atletas e soldados e outros que estão longe de ser a “média”. O que é intrigante sobre este trabalho é que a descrição de como o cérebro deles é muito mais simples do que a “média”. E a maioria dos clientes iria preferir treinar para virar um piloto de alta performance do que um piloto médio.

Em um projeto realizado pelo Dr. Barry Sterman com pilotos de bombardeiros B2 – todos os quais foram cuidadosamente selecionados e extensivamente treinados para os papéis que desempenhariam – houve pouquíssima diferença entre os pilotos de alta performance e os competentes. Todos eles mostraram padrões de pico cerebral no simulador de vôo, mas os melhores pilotos mostraram ligeiramente mais.

Qualquer atleta profissional, artista ou executivo pode operar no “estado de fluxo”. Os superstars conseguem fazê-lo com mais facilidade, mais freqüência e ficar mais tempo nele.

Então treinando na direção do pico, ao invés da média, é de fato mais simples, ao mesmo tempo é mais desejável para a maioria dos clientes e mais compreensível para a maior parte dos treinadores.

Por que não Simplesmente Treinar Todos até o Pico?

Durante meus anos de treinamento, fui abordado por clientes que queriam aquilo que chamavam de treinamento “pico de performance”. Não havia necessidade de fazer uma avaliação, no entendimento deles. Havia realmente muito pouco ou nada “errado” com eles. Já eram muito felizes consigo mesmo, mas eles queriam ainda mais.

No início, acreditava neles e somente tentei treinar até o estado de pico, mas em geral não com muito sucesso e a razão tornou-se clara quase que imediatamente. O cérebro deles tinha adotado padrões de ativação que os bloqueavam de estados de pico.

Muitos deles costumam me dizer que estavam meditando a 5, 10 ou 15 anos, mas quando olhei o cérebro deles, dizia, “não sei o que você tem feito nestes 15 anos, meu amigo, mas não era meditação!”.

Quando comecei a fazer avaliações, até mesmo nestes clientes quase perfeitos, costumava mostrar para eles os resultados e perguntar coisas do tipo “você não sente ansiedade?” ou “você não tende a agir impulsivamente?” A resposta geralmente era sim – é claro que eles sentiam ansiedade e agiam impulsivamente. Na verdade, esta era uma das coisas que os mantinha longe de serem “perfeitos”. Mas não havia nada de errado.

Comecei a repetir a frase que tinha ouvido anos antes (não recordo quem disse) que “todo o treinamento cerebral é treinamento de pico de performance”. Para chegar no lugar em que podemos operar no nosso pico, muitos de nós tem que limpar o matagal, construir pontes entre outros. Temos que brecar os hábitos de nosso cérebro que bloqueiam nosso estado de pico primeiro. Então conseguiremos chegar lá com mais facilidade e ficar por mais tempo.

Ativando e Bloqueando Padrões

Muito da pesquisa publicada sobre padrões do cérebro baseada em QEEG correlaciona determinados estados mentais e emocionais com específicos relacionamentos. O processo de treinamento cerebral como um todo, que iremos delinear mais tarde neste livro, busca dois tipos de padrões: aqueles que ativam estados de pico e aqueles que o bloqueiam. O treinamento não foca no “tratamento” de sintomas específicos tanto quanto ele o faz no sentido de mudar os padrões estáveis do cérebro para longe daqueles que bloqueiam e na direção dos que ativam estados de pico. A medida que este processo avança, o pico de performance se torna um resultado natural e o cliente se move em direção de tornar-se o seu “melhor” ao invés da “média” de qualquer um.

Continue lendo sobre o estado de pico para o qual estamos treinando.

 

Peter Van Deusen

Peter Van Deusen tem treinado cérebros (incluindo o seu próprio) e treinadores desde 1992. Seu compromisso é em tornar a sofisticada tecnologia de neurofeedback acessível a usuários profissionais e leigos.

Peter Van Deusen

Peter Van Deusen tem treinado cérebros (incluindo o seu próprio) e treinadores desde 1992. Seu compromisso é em tornar a sofisticada tecnologia de neurofeedback acessível a usuários profissionais e leigos.

Compartilhe

Compartilhar no linkedin
Compartilhar no whatsapp
Compartilhar no telegram
Compartilhar no facebook
Compartilhar no email

Criada em 1994 por Peter Van Deusen, a Brain-Trainer International (BTI) é uma empresa que oferece um sistema completo para treinadores de neurofeedback: aparelhos, programas e cursos de formação e aprimoramento.

Post recentes

Siga-nos

Youtube